20 ANOS

 

Há 20 anos, em uma manhã de domingo, o Brasil se surpreendia com um rapaz de 20 anos.
Totalmente desconhecido em seu próprio país, ele vencia o Torneio de Roland Garros pela
primeira vez e dava o primeiro passo para se tornar, junto com Maria Esther Bueno, o maior
tenista da história do Brasil.
Não vou dizer que parece que foi ontem, porque não parece.
Faz tanto tempo que o jogo passou na Rede Manchete.

Mas o que quero escrever aqui é sobre um dia depois.
O cenário não é Paris e sim Bauru (que quem conhece bem, sabe que também
tem uma sua Torre Eiffel).
O personagem é outro Gustavo e, à época, também com 20 anos.

Em 9 de junho de 97, uma segunda-feira de tarde, era o meu primeiro dia no Diário de Bauru.
Como todo mundo que desenha, desenho desde que me entendo por gente e, naquela época,
já ganhava meus trocados com isso. Mas nada muito sério, nem regular.
Mas a partir dali a coisa ficou séria.

Chegando no Diário, o Junião, chargista há alguns anos e futuramente um dos meus melhores
amigos, me levou para conversar com os editores.
Os meus dois primeiros editores, que curiosamente são até hoje os melhores com quem já
trabalhei e aprendi.
Márcio ABC e Paulo Torres me pediram dois desenhos como teste para ver se funcionaria.
Uma charge e uma ilustração de texto.
Nenhum dos dois seria publicado: era só para eu me aclimatar.
Lembro-me que fiz uma charge do Izzo (ex-prefeito de Bauru) e recebi um texto do
Armando Nogueira para ilustrar.
O texto, como não podia deixar de ser naquela segunda, era sobre o Guga.

No fim da tarde, subi novamente à sala do Márcio e do Paulo para mostrar os desenhos.
Conversamos um pouco, combinamos que eu voltaria no outro dia.
E, para encerrar, o Márcio disse enquanto o Paulo sorria:
- Ah, e entrega esse desenho do Guga para o pessoal da diagramação para ilustrar a coluna.
Junião e eu dissemos que a coluna do Armando não tinha ilustração. E o Paulo respondeu:
- Hoje vai ter, garotinho…

Hoje, faz exatamente 20 anos desse dia.
Apesar de curta, a minha passagem pelo Diário foi um dos momentos mais importantes da minha vida.
Aprendi muito sobre desenho, jornalismo, fotografia, humor e como me relacionar e trabalhar
com outras pessoas.
E como se não bastasse, fiz alguns dos maiores amigos da minha vida.

Assim como a Rede Manchete, o Diário de Bauru também não existe mais.
Mas sempre me traz as melhores lembranças possíveis de como tudo começou.

Nesses 20 anos não ganhei um Roland Garros como o meu xará que eu tanto respeito e admiro.
Na verdade, não ganhei nem um Desafio ao Galo.
Mas tudo bem. São esportes diferentes.
Espero que eu possa continuar jogando nesses próximos 20 ou 40 anos.
E sempre evoluindo.
Uma hora eu aprendo. :)



 Escrito por Gustavo Duarte às 19h08
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